Brasil terá etanol de segunda geração em um ano e meio.

No Brasil empresas devem comercializar as enzimas capazes de hidrolisar o bagaço de cana.

A sonhada produção do álcool de segunda geração, o combustível verde obtido a partir de resíduos como bagaço de cana-de-açúcar ou de qualquer outro vegetal, está mais próxima do que se imagina. Quem garante é o presidente para a América Latina da dinamarqueza Novozymes , Pedro Luiz Fernandes. Para ele, "dentro de um ano e meio o país poderá iniciar a produção deste tipo de álcool em escala comercial".

No ano passado, em 13 de setembro, a Novozymes, maior produtora de enzimas industriais do mundo, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), de São Paulo, assinaram acordo para selecionar a enzima mais adequada para a hidrólise do bagaço da cana-de-açúcar entre os organismos existentes no acervo da empresa. Com essa tecnologia, o Brasil poderá triplicar a produção de etanol sem necessidade de ocupar novas áreas agrícolas. A sede da empresa na América Latina é em Araucária (PR) e, ao final do projeto, ela vai comercializar as enzimas capazes de hidrolisar o bagaço de cana.

"Nós já encontramos o que em química se costuma denominar "mistura óptima". Desde a assinatura do acordo, a pesquisa evoluiu para a utilização de dois tipos de enzimas e estamos na etapa em que estudamos se a melhor forma é utilizar uma enzima em cada etapa de produção ou uma associação das duas", informou. Segundo Fernandes., a tecnologia da empresa aponta para uma solução, cujo custo será inferior ao da produção de álcool a partir do açúcar. "Com certeza, na medida que ganhar escala, o álcool de celulose será mais barato que o produto atual".

A Novozymes está fazendo esta pesquisa em escala mundial porque os Estados Unidos tem o mesmo interesse de produzir o álcool de celulose a partir dos resíduos do milho. São mais de 110 cientistas envolvidos na sede da empresa na Europa, nos EUA (empresa tem parceria com a Universidade de Washington) e no Brasil. "Pelo que tem de biomassa, o Brasil é o player do futuro neste tipo de combustível", disse o presidente.

Fernandes adiantou também que a Novozymes está prestes a assinar um acordo de fornecimento dessas enzimas para a produção em escala piloto "com uma grande empresa brasileira". Sabe-se que a Petrobras está pesquisando essa tecnologia assim como pelo menos três universidades brasileiras. A importância de se dominar o processo fez a CTC procurar a Novozymes para fazer o acordo que foi assinado simbolicamente pelo presidente Lula numa viagem à Dinamarca no ano passado.

Técnicamente, a hidrólise é o processo que busca extrair glicose do material celulósico para que, depois, se possa obter etanol por fermentação. Como todos os vegetais contêm celulose, quem dominar o processo poderá produzir etanol de quaisquer resíduos agrícolas ou florestais como palha de milho, de trigo e cavacos de madeira. O bagaço de cana, por exemplo, contém ainda um terço da energia armazenada na planta.. Sobre os direitos de propriedade intelectual da pesquisa, a Novozyme informa que serão compartilhados entre os parceiros, mas não há governos envolvidos.

Além da Nonozymes, o Brasil está procurando por estas enzimas através do Programa Bioetanol, projeto nacional financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que estuda o processo de hidrólise enzimática. Com isso se pode antever que, no futuro, poderão existir dois ou três fornecedores dessa tecnologia. Mas só a escala comercial é que apontará as melhores enzimas.

Processos diferentes
A Novozymes pesquisa um processo para hidrólise diferente do caminho escolhido pelos 150 cientistas brasileiros envolvidos no Projeto Bioetanol. A empresa utiliza um processo de pré-tratamento do bagaço chamado de oxidação alcalina úmida, que retira a lignina - material resistente que recobre os organismos vegetais e é um protetor das plantas contra estresses, em especial mecânicos - e as pentoses (açúcares de cinco carbonos, que não são usados ainda para produção de etanol porque não há microorganismo que os fermente). No Brasil, usa-se como pré-tratamento a explosão a vapor, já conhecida e aplicada pelas usinas que utilizam o bagaço para fazer ração para gado - processo não tão eficiente quanto o de oxidação.

O país escolheu o processo de explosão a vapor para pré-tratamento porque ele é dominado pelas usinas, o que em tese facilitaria a adoção mais imediata da tecnologia. Afora a Novozymes e o CTC, no Brasil se conhece uma outra iniciativa empresarial voltada para o processo de hidrólise enzimática comercial - a da empresa de biotecnologia Biocell, financiada pela Votorantim Ventures, fundo de capital de risco do Grupo Votorantim que trabalha em parceria com a Bioenzimas, situada em Caruaru (PE), que produz enzimas utilizadas no processo de confecção de roupas jeans, para dar um efeito de "lavagem", no produto.

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