Recepção de cana de açúcar.





Eng. Industrial, Prof. Associado, Faculdade de Engenharia Agrícola, UNICAMP, Campinas-SP, Fone (0xx19) 3788.1071, e-mail: oscar@agr.unicamp.br. 2Eng. Agrícola, Prof. Titular, Faculdade de Engenharia Agrícola, UNICAMP, Campinas-SP.

A mecanização total ou parcial se aepresenta atualmente como a única opção para a colheita da cana, tanto do ponto de vista ergonômico quanto econômico e, principalmente, do ponto de vista legal e ambiental, já que apenas o corte mecânico viabiliza a colheita semqueima prévia, o que por sua vez viabiliza o aproveitamento do palhiço. A evolução lenta da colheita mecânica no Estado e no País permite concluir, mesmo sem abordar detalhes técnicos, que as soluções tecnológicas disponíveis não são suficientemente competitivas para atrair os usuários, ou seja, existem limitadores que restringem sua implementação. Este trabalho propõe uma alternativa tecnológica orientada à colheita de cana crua, emterrenos declivosos com maior preservação do emprego no meio rural. O equipamento auxilia a colheita manual, realizando as operações de corte de base, corte dos ponteiros, remoção das folhas e condução dos colmos até a caçamba armazenadora, deixando para o homem as funções de manuseio dos colmos após o corte de base passando pelo despontamento até a unidade de despalhamento. A colheita da cana-de-açúcar processou-se historicamente de forma totalmente manual desde o corte da base até o carregamento. Um primeiro passo no sentido da mecanização foi a introdução do carregamento mecânico dos colmos inteiros. Na década de 50 surgiu, na Austrália, o princípio mecânico de colheita atualmente utilizado no Brasil, o qual combina a operação de colheita com a de carregamento. Trata-se de equipamento que corta uma linha por vez, utiliza um veículo que trafega paralelamente à colhedora para receber a matéria-prima, separa boa parte das folhas e ponteiros e os lança ao solo da área colhida. Os processos convencionais de colheita manual ou mecânica, com queima prévia, visam apenas o aproveitamento dos colmos e estão constituídos de uma seqüência de operações simples que incluem o corte da base, do ponteiro e a picagem ou empilhamento dos colmos. Em ambos os casos o aproveitamento do palhiço não faz parte do processo de colheita, conseqüentemente este é separado dos colmos, mesmo que parcialmente, e deixado no campo para posterior recuperação. No caso do corte manual, a colheita semqueima prévia acarreta restrições ergonômicas e econômicas que inviabilizam a operação. Atualmente esta concepção da colheita está sofrendo modificações em função de restrições legais e ambientais ao processo de queima, juntamente com a entrada em foco do aproveitamento do palhiço para aplicações, não consolidadas ainda comercialmente, tais como geração de energia e cobertura vegetal para agricultura convencional ou orgânica. Perfila-se dessa forma um novo conceito de colheita da cana-de-açúcar, sem queima prévia, que visa o aproveitamento integral da planta, envolvendo operações adicionais para a retirada das folhas e a disposição adensada de colmos e palhiço para o transporte. Esta abordagem tem implicações profundas nos processos convencionais de colheita, tanto manual quanto mecânica, implicações estas associadas com perdas de cana, contaminação de cana e palhiço com impurezas minerais, altos investimentos para a colheita e a recuperação do palhiço assim como inviabilidade econômica do despalhamento manual. Cabe destacar os esforços realizados pelos usuários e fabricantes de equipamentos para adaptar as colhedoras de cana picada a essa nova realidade, o sucesso tem sido parcial
e tudo indica que os princípios utilizados por esses equipamentos precisam ser reformulados para enfrentar as novas exigências da colheita integral da planta. Dentro desse quadro torna-se pertinente a discussão de novas propostas que tornema colheita da cana crua tanto ou mais atraente que a colheita da cana queimada, como forma de consolidar sua implantação sem a pressão da lei ou da população. Este trabalho apresenta uma análise de onze pontos considerados determinantes para definir um perfil de colheita capaz de conseguir o aproveitamento integral da cana de forma sustentável. A análise será apresentada discutindo os referidos pontos de forma comparativa entre a tecnologia atual descrita por Braunbeck et al. (1999) e, um conceito alternativo de colheita na forma de uma mecanização parcial denominada de auxílio mecânico. As Figs. 1, 2 e 3 ilustram o referido conceito onde cada componente foi identificado pela mesma letra nas três figuras. A unidade consta essencialmente de uma frente de corte com largura de três ou cinco linhas, incluindo um disco flutuante para o corte basal de cada linha, segue umconjunto de transportadores helicoidais rotativos que conduzem o material até uma célula de trabalho com dois operadores por linha que catam manualmente os colmos, cortam o ponteiro utilizando um disco cortador disponível para cada linha e encaixam os colmos emum transportador lateral que os conduz até um despalhador de rolos. O despalhador retira as folhas e lança os colmos inteiros até uma carreta de descarga vertical onde os mesmos são armazenados ordenadamente, na direção longitudinal de marcha, para manter a densidade de carga requerida pela operação posterior de transporte. Esta concepção de lançamento, armazenamento ordenado, descarga vertical e posterior carregamento convencional mostrou-se tecnicamente viável em diversas frentes de colheita de três usinas A frente do equipamento efetua o corte de base e o transporte da massa integral de cana sobre um plano inclinado, sem separação entre as linhas.

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