Problemas ambientais da indústria de cana.









Problemas ambientais


Questão fundiária

Vários problemas ambientais são relacionados com as monoculturas que se instalam em grandes extensões e com a produção de biocombustiveis isto não é diferente. A concentração de terras é uma delas e em um país que já apresenta uma das maiores concentrações de terra do planeta isto é um agravante sério. Outros fatores são a exclusão de agricultores familiares, a ocupação de terras férteis utilizadas para produção de alimentos.

Quanto à concentração fundiária é amplamente sabido que as usinas e destilarias são empreendimentos empresariais que congregam tanto a produção de cana como sua transformação (que na teoria econômica recebe o nome de “integração vertical”), sendo que em São Paulo ela atinge a média anual de 75% da cana moída. (Ramos, 1999, Ramos, 2007)

Trabalho recente de Veiga Filho e Ramos (2006) evidencia a concentração na produção e no processamento da cana de açúcar no Estado de São Paulo.



Uso de agroquímicos

A poluição do solo, da água, da vegetação nativa do entorno dos canaviais e sua respectiva fauna é um fato muito importante e que deve ser considerado nesta expansão.

O uso intensivo de herbicidas no cultivo da cana e como maturador, para uniformizar a lavoura na colheita e a forma de aplicação utilizada, são fatores que podem agravar o risco de contaminação ambiental.

O uso de adubos solúveis, notadamente os nitrogenados, também são fontes difusas de contaminação do solo e do lençol freático, que devem ser monitorados.

Vinhaça

A utilização da vinhaça predominantemente na fertirrigação, por um lado supre parte dos nutrientes para a cultura, mas podem ser fontes extremamente importantes de poluição, notadamente quando em contato com áreas frágeis de aqüíferos, quer seja em lagoas de deposição temporária, nos canais de transporte ou mesmo em locais onde a aplicação foi além da capacidade do sistema em aproveitá-la.

Queimada da palha

A queimada da palha da cana por ocasião da colheita é um dos pontos mais criticados e polêmicos do sistema produtivo sucroalcooleiro, seja pela morte de animais durante este processo ou por causar problemas sérios à saúde dos trabalhadores, que respiram a fuligem durante seu trabalho, como para a população das cidades onde atividade canaveira é conduzida.

Embora em muitas regiões onde a colheita da cana já é feita com mais de 70% mecanizada, como a região de Ribeirão Preto, para aumentar o rendimento das máquinas a cana continua sendo queimada.

Vários trabalhos demonstram os riscos de morbidade e mortalidade em populações exposta a fumaça proveniente das queimadas ( Arbex et all 2004).

Impactos sobre a flora

Não raramente o fogo foge do controle e atinge matas vizinhas ao sistema produtivo, bem como afetam a vegetação do entorno pelo calor do fogo durante a queima.

Impactos na Fauna

Embora o sistema de queima no Estado de São Paulo adote o sistema de queimadas a partir de dois lados do canavial ao invés do tradicional quatro lados possibilitando uma rota de fuga, a temperatura que pode chegar a 800 C tem causado a morte de um número grande de espécies de animais da fauna nativa. Outro fato que agrava esta situação é a de que por redução da vegetação original, uma parte da fauna faz dali seu local de reprodução, e que por conseqüência atraem predadores maiores, que também são pegos de surpresa pelo fogo.

Exportação de água embutida:

A água é um bem extremamente raro e precioso, quando exportamos um produto exportamos também água embutida nestes produtos. No caso da cana dos 17 milhões de litros produzidos na última safra,considerando o gasto na fase industrial de 3000 litros por tonelada de cana e estimando um rendimento médio de 85 l por tonelada de cana foram gastos 637.500.000 mil litros de água, ou seja 63 km3 de água, o equivalente a toda água utilizada no mundo todo para o consumo doméstico.

Se para suprir os 10% de álcool para a demanda mundial até teremos que multiplicar por sete nossa produção, teremos um gasto de água somente na fase industrial de 441 km3 de água ou sete vezes o consumo de água de uso doméstico no mundo.

Segurança alimentar

Vários trabalhos listados a seguir, mostram que a cultura canavieira compete com a produção de alimentos, ocupando áreas de solos de alta fertilidade deslocando a produção de alimentos básicos para a população.

Os biocombustíveis podem ter efeitos sobre os preços dos alimentos, especialmente sobre os preços dos alimentos básicos. Caso os preços do petróleo permaneçam altos -o que é provável, as pessoas mais vulneráveis aos aumentos de preços causados pelo boom do biocombustível seriam os habitantes de países que ao mesmo tempo sofrem déficits alimentícios e importam petróleo. O risco se estende a boa parte dos países em desenvolvimento. Em 2005, de acordo com a Organização de Agricultura e Alimentos das Nações Unidas (FAO), a maioria dos 82 países de baixa renda que sofriam deficiências alimentícias eram também importadores líquidos de petróleo (Runge & Senauer, 2007).

A pressão do setor canavieiro está elevando o custo de produção de outros setores, como o de grãos e até da pecuária. Os dois últimos passaram a disputar as terras com o setor sucroalcooleiro, bastante capitalizado. Em algumas áreas do Estado de São Paulo, as terras apropriadas para o plantio de cana-de-açúcar custam hoje duas vezes o valor que custavam em 2002( ZAFALON, 2007).

O Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (IFPI), de Washington, produziu estimativas cautelares quanto ao potencial impacto mundial da alta da demanda por biocombustiveis. Mark Rosegrant, diretor de uma divisão do instituto, e seus colegas projetaram que, dada a alta continuada nos preços do petróleo, o rápido crescimento na produção mundial de biocombustíveis deve elevar os preços mundiais do milho em 20%, até 2010, e em 41% até 2020. O preço das sementes oleaginosas deve subir em 26% até 2010 e em 76% até 2020, e os preços do trigo aumentarão em 11% até 2010 e em 30% até 2020. Nas regiões mais pobres da África ao sul do Saara, da Ásia e da América Latina, onde a mandioca é alimento básico, as projeções quanto ao seu preço indicam alta de 33% até 2010 e de 135% até 2020 ( Runge; Senauer, 2007).

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