Inaugurado centro de bioetanol em Campinas



Laboratório vai debruçar-se sobre gargalos da pesquisa do álcool de celulose
© EDUARDO CESAR
Presidente Lula e governador de São Paulo José Serra inauguraram o centro na sexta-feira passada
Foram inauguradas em Campinas (SP), na tarde da sexta-feira (22/01), as instalações do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), um centro de pesquisa voltado para o desenvolvimento do etanol de segunda geração, aquele produzido a partir da celulose da cana-de-açúcar. O laboratório foi concebido em 2007 e já contou com R$ 69 milhões de investimentos do governo federal. Algumas pesquisas em andamento contam com o apoio da FAPESP, num montante de cerca de R$ 2 milhões, segundo Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor do CTBE. O centro dispõe de 52 funcionários, entre pesquisadores e técnicos. A previsão é ampliar o quadro para 170 funcionários até 2013.
Além de desenvolver projetos de pesquisas relacionadas a todas as etapas de produção do etanol, o centro tem a ambição de oferecer uma plataforma que possa ser utilizada por pesquisadores de todos os lugares do Brasil, e também da América Latina, em moldes semelhantes aos do uso das instalações do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). O LNLS, o CTBE e o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) dividem o mesmo campus em Campinas e são coordenados por uma instância que acaba de ser criada pelo governo federal, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), dirigido pelo físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Segundo o diretor Marco Aurélio Lima, a ideia de criar o laboratório surgiu de um estudo que levantou os desafios da produção brasileira de etanol para os próximos 15 anos. Uma das metas era responder o que país precisaria fazer para produzir etanol capaz de substituir 10% da gasolina consumida no planeta no ano de 2025. “Muitos dos gargalos identificados demandam investimentos em ciência para resolvê-los”, diz Lima. O centro firmou acordos de cooperação com o Imperial College, da Inglaterra, e a Universidade Lund, da Suécia, com os quais desenvolverá pesquisas conjuntas. Também foi celebrado um acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em torno de estudos no campo da sustentabilidade da cultura da cana.
Presente à inauguração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância do CTBE para que o Brasil dê um novo salto tecnológico no setor de etanol de cana-de-açúcar.  “Espero que este laboratório possa utilizar todo o seu potencial para que a gente possa transformar o etanol no combustível mais apreciado e mais utilizado do mundo”, disse. Lula lamentou o aumento no preço do etanol combustível e criticou os usineiros que reduziram a produção de álcool para fabricar mais açúcar, cujos preços internacionais estão em alta. “Quando a gente tenta fazer do etanol um componente da matriz energética, é preciso que a gente tenha seriedade”, disse o presidente. “Se a gente passar para o mundo a ideia de que não estamos dando conta sequer do nosso mercado interno, nós não iremos levar o álcool, como pensamos que vamos levar, para vender no mundo inteiro”, afirmou.
Para o governador de São Paulo, José Serra, o centro será um espaço propício para colaboração entre os governos federal e estadual. “Para nós, a criação do CTBE é uma notícia grata e se soma ao esforço de pesquisa feito no Estado no campo da bioenergia”, disse Serra. “Na prática, a integração já existe. Todos os três diretores do centro são pesquisadores de universidades estaduais paulistas. Um é pesquisador da USP e os outros dois da Unicamp”, afirmou. Serra citou a criação do Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia no final de 2009, que irá integrar os pesquisadores das três universidades e contratar novos pesquisadores em temas de fronteira, no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).
Segundo o diretor científico do CTBE, Marcos Buckeridge, a abrangência dos trabalhos do novo centro coincide com a do Bioen, que deverá contribuir com o laboratório e também se beneficiar da sua infraestrutura. “Está em formação um sistema brasileiro de bioenergia que reunirá os trabalhos de uma elite de especialistas espalhados pelo país”, anuncia Buckeridge, que é professor da USP e coordena a divisão de biomassa do Bioen.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens Recentes

Postagens Populares