Praga ameaça plantações de cana-de-açúcar no Brasil

Uma nova praga ameaça os canaviais de São Paulo. A ferrugem alaranjada, um fungo que ataca as folhas da cana-de-açúcar, já foi encontrado nas regiões de Araraquara, Ribeirão Preto e Piracicaba, importantes produtoras de cana.
A doença provoca o apodrecimento do tecido da planta e reduz a produção de açúcar. A ferrugem alaranjada existe na Ásia e na Austrália desde o século 19. Em 2007, foi encontrada em canaviais dos Estados Unidos e depois em países da América Central.
A principal hipótese dos pesquisadores é que o fungo tenha chegado ao Brasil vindo desses países e chegado a São Paulo por correntes de vento. Eles também acreditam que a doença já tenha chegado a outros estados brasileiros.
Não há como barrar a disseminação da doença e nem erradicá-la. Uma plantação contaminada apresenta em média uma queda de 20% na produção de cana. Especialistas estimam uma perda de R$ 300 milhões por ano no país.
O fungo prefere ambientes com calor e umidade. No Brasil, não há autorização para o uso de fungicidas nas lavouras de cana. A melhor alternativa no momento é plantar variedades mais resistentes à doença.
"Como é uma novidade, uma doença exótica que acaba de chegar, nós vamos ter várias surpresas até conhecer a reação de todo esse plantel varietal que a gente tem no país", diz Enrico Arrigoni, pesquisador do Centro de Tecnologia Canavieira.
Os produtores estão preocupados. "A doença já está instalada. Isso significa alguns anos de prejuízo para os produtores", diz a engenheira agrônoma Arminda Sacchi.
O Ministério da Agricultura diz que estuda a liberação emergencial do uso de fungicidas na cana-de-açúcar e diz que já notificou todos os estados produtores sobre a doença.






Doenças Causadas por bactérias e fungos em Cana-de-açúcar


Brasileiros identificam gene inibidor de fungo na cana

Descoberta de pesquisadores de São Carlos pode ajudar produtores, Evanildo da Silveira escreve para 'O Estado de SP': Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) acabam de obter o primeiro resultado prático do mapeamento genético da cana-de-açúcar. Eles identificaram um gene que é responsável pela produção de proteína capaz de inibir o crescimento de fungos causadores de doenças na planta. Com a descoberta será possível selecionar variedades de cana-de-açúcar mais resistentes a pragas ou até fazer outras transgênicas com essa característica. O seqüenciamento do genoma da cana-de-açúcar, realizado entre abril de 99 e dezembro de 2000, foi resultado de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp), que envolveu cerca de 60 laboratórios do Estado, entre os quais o Laboratório de Fitopatologia Molecular e Engenharia Genética (Lafimeg), da UFSCar. Foram identificados 43 mil genes, cujos fragmentos - cerca de 300 mil seqüências - estão armazenados no Brazilian Clone Collection Center (BCCC), em Jaboticabal (SP), construído especificamente para esse fim. O que o biólogo Flávio Henrique da Silva, do Depto. de Genética e Evolução da UFSCar, e sua orientanda, Andréa Soares da Costa, fizeram foi pegar essas seqüências gênicas e compará-las com o banco de dados do Gene Bank - o banco mundial de genes. 'Encontramos uma seqüência na cana similar a uma presente no arroz, que produz uma proteína capaz de impedir o crescimento de fungos', explica Silva. 'Ela inibe a cisteinoprotease, uma proteína fundamental para o desenvolvimento do fungo.' Depois de identificado o gene responsável pela produção da proteína inibidora de fungos - batizada por eles de canacistatina -, os pesquisadores o implantaram na bactéria E. coli. 'Essa bactéria passou, então, a produzir a canacistatina em grande quantidade', explica Silva. 'Nós pegamos essa proteína produzida, a purificamos e a testamos.' Segundo Silva, foram realizados testes, tanto in vitro como in vivo. 'No primeiro, colocamos em contato a canacistatina com a cisteínoprotease. Notamos que a primeira inibiu a segunda, como esperávamos. Depois testamos a canacistatina diretamente no fungo não patogênico Trichoderma ressei (que não causa a doença) e nos patogênicos Colletrichum s.p. e Fusarium moniliforme. Constatamos que ela impede o crescimento dos fungos.' O Fusarium é praga onipresente nos canaviais, causando grandes prejuízos, já que provoca doenças na base do gomo ou uma espécie de 'podridão' no topo da cana. A descoberta dos pesquisadores da UFScar pode ser uma solução contra essa praga. (O Estado de SP, 5/12) JC e-mail

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