Indianos assumem controle do grupo de açúcar e álcool Equipav

Fabricante brasileira conta com duas usinas em São Paulo e tem dívidas estimadas em cerca de R$ 1,5 bilhão



Gustavo Porto




O grupo indiano Shree Renuka Sugars Ltd. finalizou ontem a aquisição de 50,8% da Equipav Açúcar e Álcool, que tem usinas nas cidades paulistas de Promissão e Brejo Alegre. O negócio prevê a injeção de R$ 600 milhões na companhia sucroalcooleira e produtora de energia elétrica de biomassa. A empresa indiana assumirá, ainda, proporcionalmente, parte da dívida de R$ 1,5 bilhão da Equipav, que será renegociada. Procurada pela Agência Estado, a diretoria da Equipav, cujos acionistas ficarão com 49,2% das usinas, confirmou a negociação com o grupo indiano.

No negócio, iniciado em agosto, o Shree Renuka Sugars Ltd. bateu as multinacionais Bunge, Noble Group, a parceria entre Rhodia e o fundo Vital Renewable Energy Company (VREC), bem como o Grupo Cosan, única companhia brasileira que ainda estava na disputa pelas usinas. As usinas Equipav e Biopav devem processar 10,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra que será iniciada até o próximo mês e ampliar para 12 milhões de toneladas na safra 2011. "A companhia é uma plataforma de crescimento do grupo indiano no Brasil", afirmou José Carlos Toledo, acionista e diretor da Equipav.
Parte do dinheiro capitalizado pela Equipav na associação ao grupo Shree Renunka Sugars Ltd. já foi injetada no pagamento de compromissos de curto prazo, entre eles o atraso no pagamento de fornecedores, que gerou protestos na última semana em frente à Biopav, em Brejo Alegre.
A compra da fatia majoritária da Equipav é o segundo negócio do grupo indiano em quase quatro meses no Brasil. Em 11 de novembro, a companhia anunciou a compra das duas unidades sucroalcooleiras da Vale do Ivaí Açúcar e Álcool, em São Pedro do Ivaí (PR).
O valor total das unidades paranaenses compradas, que processam 3,1 milhões de toneladas de cana, chegou a US$ 240 milhões e incluiu 18 mil hectares de terras, associações nos dois maiores terminais de exportação de açúcar e de álcool do Paraná e ainda na CPA Trading, responsável pela comercialização de 60% do etanol daquele Estado.
À época, a companhia já falava em mais aquisições no Brasil, com um crescimento centralizado na regiãol Centro-Sul do País, a fim de ampliar a competitividade no negócio global de açúcar. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial da commodity e a Índia, hoje o segundo maior produtor, precisou importar açúcar na atual safra, após a quebra da safra local.
A venda do controle acionário da Equipav amplia ainda mais a participação estrangeira no setor sucroalcooleiro do Brasil. Entre dezembro de 2009 e este mês, a Bunge definiu a aquisição de cinco usinas do Grupo Moema, capazes de moer 13,5 milhões de toneladas de cana por safra. Ainda em fevereiro, a Cosan anunciou a parceria com a gigante petroleira Shell. No ano passado, a francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC) ficou com 60% da Santelisa Vale, na região de Ribeirão Preto.

NÚMEROS

50,8%

é a fatia que o grupo indiano Shree Renuka Sugars comprou da Equipav Açúcar e Álcool

R$ 600 milhões

é a injeção prevista na companhia sucroalcooleira e produtora de energia elétrica de biomassa

R$ 1,5 bilhão

é o total da dívida da Equipav - a empresa indiana assumirá proporcionalmente o valor devido, que será renegociado

10,5 milhões de toneladas

é a quantidade de cana-de-açúcar que as usinas Equipav e Biopav devem processar na safra que

será iniciada até o próximo mês

US$ 240 milhões

é o valor das unidades compradas pela indiana no PR

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens Recentes

Postagens Populares