Mapa cria plano contra a ferrugem alaranjada da cana

Um foco da doença foi confirmado em Paranacity; instrução normativa vai orientar produtores sobre procedimentos a serem adotados

Curitiba - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está elaborando um plano de monitoramento e contingência para a ferrugem alaranjada da cana-de-açúcar que tem previsão para ficar pronto no início de março. O Mapa deve criar uma instrução normativa para orientar os produtores sobre os procedimentos a serem adotados a respeito de trânsito de mudas de cana e de material, transporte de trabalhadores e desinfecção de equipamentos.
Até agora, o único foco da doença no Paraná foi detectado em Paranacity (66 km ao norte de Maringá) no final de janeiro. Foram coletadas amostras, encaminhadas para laboratório, que confirmou o caso. O engenheiro agrônomo do núcleo regional de Ponta Grossa da Secretaria Estadual de Agricultura, Gil Oliveira da Costa, disse que a melhor forma de impedir a disseminação da doença é eliminar as variedades suscetíveis da planta e priorizar as variedades resistentes. Ele acredita que, no Paraná, não deve ter um volume muito grande de variedades suscetíveis.
O vento é o principal agente para a proliferação do fungo da ferrugem - o Puccinia kuehmii. Ele alertou ainda que este tipo de fungo pode sofrer mutações, por isso, o trabalho vai depender de monitoramento constante. A cana que apresenta a ferrugem fica com lesões alaranjadas, ou seja, as folhas ficam "manchadas" e o vegetal não consegue fazer a fotossíntese. A doença não mata a planta, mas diminui a capacidade de produção, em média, em 30%, mas há relatos de casos que chegam a até 43%.
Além do vento, a proliferação do fungo pode ocorrer através de ferramentas, roupas dos trabalhadores e mudas contaminadas. Não compensa o uso de fungicida porque o custo é muito alto. As variedades mais resistentes de cana impedem o fungo de se desenvolver. Hoje a que tem produção melhor, mas é mais suscetível à doença é a RB 72454. Já a variedade RB 867515 é uma das mais resistentes.
Este ano, a safra de cana tem uma área plantada de 644.874 hectares e a produção esperada é de 54,866 milhões de toneladas. O período de safra começa a partir da segunda quinzena de março e vai até o final do ano.

Trabalho

Em janeiro, o Mapa criou um grupo consultivo que vai monitorar as ameaças fitossanitárias e definir estratégias de controle e prevenção. Segundo o secretário substituto de Defesa Agropecuária do Ministério, Odilson Ribeiro, em 2010 deverá ser lançado um edital para apoiar ações de pesquisa. "Hoje, 70% das variedades plantadas de cana-de-açúcar são resistentes à ferrugem alaranjada e pretendemos aumentar esse percentual", disse.
Até o final do mês de março, o Ministério vai aprovar o primeiro registro de agrotóxico para ser usado no combate à ferrugem alaranjada. "Essa será mais uma alternativa que os produtores rurais terão, pois o ideal é plantar variedades resistentes à praga", explicou. O Mapa ainda vai treinar um grupo de fiscais federais agropecuários para atuar na identificação da praga em outros Estados e também em ações emergenciais.
O município de Araraquara (SP) foi o primeiro a ser notificado com a presença da praga, em dezembro de 2009. Outros focos no Estado de São Paulo ocorreram na capital, em Ibaté, Rincão, Guariba, Araras, Conchal, Altinópolis, Cajuru, Luis Antônio, Ribeirão Preto e Sertãozinho. Os focos encontrados foram pontuais, sendo mais concentrados nas regiões leste e central do Estado.

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