Cinco mitos sobre a energia verde nos EUA

28/04/10 - Os americanos estão sendo bombardeados pelos argumentos a favor da energia renovável e alternativa. Os defensores dessas tecnologias afirmam que, se deixarmos de utilizar os combustíveis fósseis, respiraremos melhor, reduziremos o aquecimento global e revolucionaremos nossa economia.
De fato, a energia "verde" tem um grande apelo político e emocional. Mas, antes de depositarmos nela todas as nossas esperanças - e subsídios -, será útil analisar alguns dos equívocos mais comuns a respeito do significado de "verde".

1 - As energias solar e eólica são as mais verdes. Infelizmente, as duas tecnologias exigem enormes superfícies de terra para produzir quantidades relativamente pequenas de energia. Até mesmo uma reserva de gás natural já muito explorada, que produz 60 mil pés cúbicos por dia, gera mais de 20 vezes a quantidade de watts por metro quadrado de uma turbina eólica.
As instalações que a energia solar e eólica exigem fizeram com que a organização Natural Conservancy divulgasse um relatório criticando a "expansão desse tipo de energia", que precisa de dezenas de milhares de quilômetros de linhas de transmissão de alta voltagem para levar a eletricidade das turbinas eólicas e das instalações solares até cidades distantes.
Tampouco a energia eólica reduz substancialmente as emissões de CO2. Considerando que o vento não sopra constantemente, as empresas precisam usar geradores movidos a gás ou a carvão para compensar a pouca confiabilidade do vento. A Dinamarca dobrou a produção dessa forma alternativa de energia entre 1999 e 2007. Entretanto, dados da operadora das redes de gás natural e eletricidade mostram que as emissões de dióxido de carbono produzidas pela geração de eletricidade, em 2007, se mantiveram no mesmo nível de 1990, antes de o país começasse a construção de turbinas.
A Dinamarca conseguiu manter inalteradas suas emissões de dióxido de carbono, mas isto foi possível, em grande parte, por causa do crescimento praticamente zero de sua população e dos exorbitantes impostos sobre a energia, e não por causa da energia eólica.

2 - Usar energia verde reduzirá nossa dependência das importações de petróleo regimes mal vistos. Na nova energia verde, não estão incluídas as baterias. E nem muitos elementos chamados "terras raras", que constituem os ingredientes essenciais para a maioria das tecnologias em matéria de energia alternativa.
Assim, em vez de depender da diversidade do mercado petrolífero global - cerca de 20 países produzem, cada um, pelo menos 1 milhão de barris de óleo bruto por dia - os EUA dependerão, cada vez mais, de um único fornecedor, a China, para a aquisição de elementos conhecidos como lantanídeos - lantânio, neodímio, disprósio e outros elementos usados em produtos, como baterias de grande capacidade, veículos híbridos-elétricos, turbinas eólicas e catalisadores para refinarias petrolíferas.
A China controla entre 95% e 100% do mercado global desses elementos. O o governo chinês decidiu reduzir suas importações de lantanídeos para garantir uma oferta adequada para seus produtores nacionais. Os políticos gostam de demonizar os países exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita e o Irã, mas a adoção das tecnologias necessárias para cortar drasticamente o consumo de petróleo dos EUA aumentará drasticamente a dependência da China.

3 - Uma economia americana verde criará empregos verdes nos EUA. Em um mercado global, os fabricantes americanos de turbinas eólicas enfrentam o mesmo problema dos fabricantes de calçados: os custos elevados da mão de obra. Se as companhias americanas quiserem fabricar turbinas, terão de concorrer com a China, que não só controla o mercado de neodímio, componente crucial dos magnetos das turbinas, como dispõe de uma mão de obra barata.
Por outro lado, o próprio conceito de emprego verde não está bem definido. Um emprego continuará sendo verde se não for criado pelo mercado, mas por subsídios ou por imposição? Vejamos o que diz a indústria de etanol de milho. O Growth Energy, grupo de pressão da indústria, afirma que o aumento da porcentagem de etanol na gasolina americana criará 136 mil empregos. Uma análise do Environmental Working Group, porém, mostrou que seriam criados apenas 27 mil e, cada um, custaria aos contribuintes US$ 446 mil ao ano. Certamente, o governo pode criar mais empregos verdes, mas qual será o custo?

4 - Os carros elétricos reduzirão a demanda de petróleo. A Nissan e a Tesla são apenas duas das fabricantes que aumentaram a produção de carros exclusivamente elétricos. Mas, na história centenária do carro elétrico, os fracassos são constantes. Em 1911, o jornal The New York Times declarou que o carro elétrico "há muito tempo foi reconhecido como ideal porque é mais limpo, mais silencioso e muito mais econômico" do que seus primos movidos a gasolina. No entanto, a mesma impossibilidade de depender das baterias dos carros elétricos que derrotou Thomas Edison persiste hoje.
Os que acreditam que Detroit desligou os carros elétricos estão enganados. Eles não foram ignorados por causa de algum complô para vender motores a combustão interna, mas por causa da física e da matemática. A gasolina contém cerca de 80 vezes mais energia, por peso, do que a melhor bateria de íon lítio. Seguramente, o motor elétrico é mais eficiente do que o motor a combustão interna, mas será que podemos depender de baterias que são notoriamente melindrosas, duram pouco e levam horas para recarregar?

5 - Os EUA estão ficando para trás em relação a outros países ricos na adoção de energia verde. Nos últimos 30 anos, os EUA melhoraram sua eficiência em matéria de energia, tanto quanto ou mais que outros países desenvolvidos.
Sucesso. Segundo dados da Agência de Informação sobre Energia (AIE), o consumo médio de energia per capita nos EUA caiu 2,5%, de 1980 a 2006. Essa redução foi maior do que em qualquer outro país desenvolvido, com exceção da Suíça e da Dinamarca. Os dados mostram também que os EUA estão entre os mais bem-sucedidos na redução da quantidade de dióxido de carbono emitido por US$ 1 do Produto Interno Bruto e na quantidade de energia consumida por US$ 1 do PIB.
O avanço dos EUA para uma economia mais voltada para o setor de serviços e menos dependente da indústria pesada e da manufatura é impulsionado por esta melhoria. Além disso, a proliferação de chips de computadores em todo e qualquer produto da indústria proporciona um rendimento maior de cada unidade de energia consumida.
Os EUA continuarão a produzir energia verde deixando simplesmente que engenheiros e empresários façam o que sabem fazer melhor: fabricar produtos mais rápidos, mais baratos e mais eficientes do que os que fabricavam no ano anterior.


Robert Bryce
Fonte: Washington Post

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