Amyris anuncia acordos para vir a fornecer hidrocarbonetos de açúcar.

Empresa que inova




Amyris anuncia acordos para vir a fornecer hidrocarbonetos de açúcar; para Shell, venderá diesel; para Total, 17% das ações



Entre 21 e 25 de junho, a Amyris — empresa de biotecnologia sediada na Califórnia e com subsidiária em São Paulo — emitiu seis comunicados à imprensa em que divulga parcerias e acordos com seis diferentes companhias — duas de distribuição e de produção de combustíveis convencionais, uma sucroalcooleira, uma fabricante de matéria-prima para embalagens plásticas, uma de produtos químicos diversos e outra de cosméticos. Os acordos parecem evidenciar o interesse da Amyris em sinalizar que há mercado para os compostos derivados de cana-de-açúcar a serem produzidos na planta industrial em desenvolvimento com a Usina São Martinho, na cidade paulista de Pradópolis. A empresa de biotecnologia afirma dispor de uma "plataforma industrial de biologia sintética" que é a base para a produção, a partir de açúcares, de especialidades químicas — compostos necessários para a indústria química, em geral de alto valor agregado — e também de combustíveis renováveis. Leveduras engenheiradas pelos pesquisadores da empresa fermentam açúcar de cana de modo a obter farneseno, um hidrocarboneto que, de acordo com a Amyris, pode ser produto final ou intermediário — para a fabricação, por exemplo, do diesel renovável.

Com a Shell

Com a petrolífera Shell, a Amyris declarou ter estabelecido um "off-take agreement" para o fornecimento do diesel de cana. A expressão inglesa refere-se a acordos pelos quais duas firmas concordam uma em vender, outra em comprar, quantidades fixas a preços pré-determinados de determinados produtos; no caso, o diesel de cana.

O press release também informa que ambas as firmas "pretendem cooperar para obter as necessárias aprovações europeias para o uso do combustível". Nos EUA, afirma o comunicado, a agência de proteção ambiental do governo já teria registrado o diesel de cana para venda comercial.

O texto do comunicado enumera as qualidades do diesel de cana que, como o texto afirma, é obtido pela modificação do farneseno de cana. Três delas seriam: a) pelo fato de ser um hidrocarboneto (diferentemente do biodiesel), o diesel de cana se mistura melhor ao diesel de petróleo sem prejudicar o desempenho dos motores; b) funciona bem a baixas temperaturas e pode ser distribuído por meio da infraestrutura já existente; c) na mistura com diesel de petróleo, resultam menos emissões de material particulado, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono.

Com a Total

O anúncio do dia 23 de junho diz que a Amyris e a multinacional francesa de petróleo constroem uma "parceria estratégica" para desenvolver "combustíveis e químicos baseados em biomassa". A parceria inclui a compra pela Total de 17% das ações da Amyris e o direito da Total de indicar um membro no conselho de diretores da Amyris; além disso, as equipes de pesquisa e desenvolvimento de ambas as empresas trabalharão juntas para chegar a novos produtos e "construir trajetórias biológicas para produzir e comercializar combustiveis renováveis e produtos químicos". Na definição do comunicado à imprensa, a parceria "combina a plataforma industrial de biologia sintética da Amyris com o know-how tecnológico, a capacidade de escala industrial e o acesso aos mercados da Total".

No comunicado sobre o acordo com a Total, a Amyris informa que opera laboratórios e uma planta-piloto na Califórnia; e uma planta-piloto e uma planta de demonstração no Brasil. Informa também que sua tecnologia modifica a maneira pela qual "microorganismos processam açúcar".

Com a Cosan

No dia 22, ocorreu o anúncio de que Amyris e Cosan trabalham para estabelecer uma joint venture que visa ao "desenvolvimento, produção e comercialização de produtos químicos intermediários renováveis para aplicações específicas industriais e automotivas a nível mundial". A Cosan é a maior moedora de cana do Brasil; produz etanol, açúcar e energia a partir de bagaço.

O comunicado afirma que o objetivo da joint venture será a comercialização conjunta desses produtos em todo o mundo e que ambas as empresas esperam finalizar o acordo para a joint venture até o final de 2010. Nesse texto, a Amyris explica que as linhagens de leveduras por ela desenvolvidas "convertem açúcares obtidos de plantas em potencialmente milhares de moléculas, fornecendo amplo espectro de produtos químicos e combustíveis para transporte renováveis".

Com a M&G Finanziaria

A italiana M&G é, segundo ela mesma, a maior produtora de PET para embalagens do mundo — fornece 1,7 milhão de toneladas do plástico. No dia 24 de junho, Amyris e M&G anunciaram "um acordo de colaboração em duas partes". Parte um: o farneseno da Amyris virá a ser incorporado como ingrediente do PET da M&G; isto feito, as empresas negociarão um "off-take agreement" — aquele tipo de acordo pelo qual as empresas estabelecem quantidades e preços fixos para a comercialização de determinado produto.

A parte dois da colaboração da empresa parece mais ambiciosa: as empresas se propõem a trabalhar juntas para que a Amyris use em sua plataforma tecnológica açúcares de baixo custo resultantes de processo industrial da M&G, cuja matéria-prima é lignocelulose.

Com a Procter and Gamble

Este comunicado foi divulgado no dia 24 de junho. A P&G e a Amyris se propõem a colaborar para a utilização do farneseno renovável da segunda na produção de especialidades químicas necessárias à primeira. Para isso, as empresas já chegaram a um acordo de fornecimento do farneseno do tipo "off-take agreement", que vai se iniciar "quando certos marcos técnicos e comerciais foram alcançados com sucesso". A Amyris informa aqui que a produção da planta em desenvolvimento com o Grupo São Martinho deverá ser usada para fornecer à P&G.

Com a Soliance

Essa empresa francesa declara produzir ingredientes de "alto valor", derivados de vegetais, microorganismos e microalgas, para a indústria de cosméticos. De acordo com a própria empresa, ela nasceu na década de 1980 para agregar valor a produtos agrícolas não alimentícios da região de Champagne, na França. De acordo com o comunicado à imprensa, divulgado em 22 de junho, a Soliance já está produzindo o farneseno da Amyris em suas "instalações industriais de fermentação". A partir do farneseno, a parceria pretende obter esqualano que, segundo o press release, é um produto utilizado em cosmética como emoliente e hidratante. A matéria-prima do esqualano é o esqualeno, abundante nos animais e comumente retirado do óleo de fígado de bacalhau ou de fontes vegetais como o óleo de oliva. A substituição desse esqualano pelo esqualano produzido a partir de farneseno permitiria à indústria de cosméticos evitar as flutuações de preço do óleo de oliva e as preocupações ambientais relacionadas à pesca de tubarões — tudo segundo o comunicado à imprensa. (M.T. e G.G.)
 
Fonte: Inovação Unicamp.

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