Caldo de cana: energético poderoso, saudável e natural

Nestes tempos de biocombustível pra cá, biocombustível pra lá, que tal você também adotar o caldo de cana como biocombustível? Neste caso, o combustível é para o seu organismo. Vejam só as fantásticas propriedades que o caldo de cana (garapa) possui:

A cana-de-açúcar foi objeto de pesquisa inédita no Brasil, desenvolvida nos laboratórios do Labex (Laboratório de Bioquímica do Exercício), do Instituto de Biologia da Unicamp (IB), e do Departamento de Alimentos e Nutrição, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Coordenada pela professora Denise Vaz de Macedo, do Departamento de Bioquímica do IB, o principal propósito das investigações científicas com a cana-de-açúcar é comprovar a sua eficácia não apenas quanto ao rendimento físico, como também para a recuperação significativa da massa muscular de atletas, sobretudo praticantes de futebol.

Próximo passo é produzir garapa em pó

A professora Denise, que pesquisa o tema há aproximadamente seis anos, está propondo a substituição do consumo desenfreado de produtos tradicionais colocados no mercado – de custo relativamente alto e nem sempre muito bem aceitos por atletas – pela garapa, “um alimento natural, portanto muito mais saudável e muito mais eficaz“, observa. Os atletas consomem muita energia durante os treinos e jogos. “Nesse momento, temos necessidade premente de possuirmos energia suficiente para abastecer a massa muscular dos atletas e, com isso, fazê-los render o máximo”, explica Denise.

É que normalmente, um atleta ou qualquer outra pessoa fisicamente ativa, possui uma reserva presente nos músculos, conhecida como glicogênio. Ela é armazenada nos músculos após o consumo de carboidratos. Com isso, o atleta gasta essa reserva durante o exercício e, quando acaba, tem a necessidade de repô-la, por meio do consumo de produtos que contenham açúcar ou amido, que podem ser facilmente encontrados no mercado.

“Quando isso não é feito, observa-se que o atleta se sente fadigado ao final das partidas ou competições. Isso ocorre porque ele não está usando a fonte de energia correta”, explica Denise. Foi com a intenção de buscar fontes alternativas eficazes de reposição de glicogênio que ela começou a investigar a cana-de-açúcar, “sem dúvida uma das mais importantes fontes de sacarose”. E tem mais: a cana-de-açúcar constitui um produto genuinamente nacional, tem em abundância no Brasil e seu custo é baixo. Denise conta que começou a pesquisar a garapa, como é conhecido o caldo extraído da cana-de-açúcar, há três anos, juntamente com Mirtes Stancanelli, nutricionista do Labex.

Iniciou esse trabalho com jogadores das categorias de base da Associação Atlética Ponte Preta, ao longo da temporada competitiva de 2001, e também junto aos jogadores profissionais, durante o Campeonato Brasileiro, transcorrido no período de junho a dezembro de 2001.

Resultados satisfatórios

“Depois dos treinos ou jogos, os atletas matavam a sede tomando uma quantidade definida de garapa. É bom lembrar que o caldo de cana-de-açúcar possui concentrações elevadas de sacarose, além de glicose e frutose, que lhe confere um alto índice glicêmico, proporcionando a um único alimento quantidade e qualidade de energia própria para ser utilizado imediatamente ao término dos exercícios”, acentua Denise. O fato é que no Campeonato Brasileiro de 2001, a Ponte Preta acabou chegando em 6º lugar. Um resultado bastante satisfatório, que pode ser atribuído, pelo menos em parte, à alimentação com garapa, como sugere a pesquisadora do Instituto de Biologia.

Durante todo o período, 60 atletas da Ponte Preta, 30 profissionais e 30 da categoria de juniores, foram alimentados com caldo-de-cana, sempre após o término do treino ou de uma partida oficial. O mesmo processo se deu com a Associação Atlética Caldense, de Minas Gerais, que em 2002 sagrou-se campeã mineira. Em ambos os casos, os atletas revelaram significativo rendimento físico, assim como a manutenção da massa muscular.

“É importante salientar a necessidade de os atletas tomarem a garapa nas doses corretas até duas horas após o treino ou após a partida, para se obter uma reposição eficiente”, acentua a pesquisadora da FEF.

Os resultados obtidos até o momento têm sido bastante positivos. A idéia, daqui por diante, é melhorar o uso da garapa com o propósito de aprimorar ainda mais o desempenho do atleta. “Mesmo porque, aqui no Brasil, em qualquer esquina pode-se encontrar um garapeiro. Imaginemos que um determinado atleta esteja acostumado a esse tipo de reposição e vai para uma competição no Exterior. Certamente, não encontrará esse alimento”, conclui Denise. O que os pesquisadores da Unicamp estão planejando agora é transformar em pó o caldo de cana, que poderia ser diluído em água. Esse trabalho está sendo desenvolvido em parceria com a professora Flávia Maria Netto, do Departamento de Alimentos e Nutrição da Faculdade de Engenharia de Alimentos.

Caldo conserva nutrientes

O valor nutricional da cana está diretamente ligado ao seu alto teor de açúcar (40% a 50% de açúcares na matéria seca), uma vez que o seu conteúdo protéico é extremamente baixo, “o que lhe confere a característica de ser um alimento muito desbalanceado em relação a seus nutrientes”, conforme explica Mirtes.

A cana é uma planta composta, em média, de 65 a 75% de água, mas seu principal componente é a sacarose, que corresponde de 70% a 91% de substâncias sólidas solúveis. O caldo conserva todos os nutrientes da cana-de-açúcar, entre eles minerais (de 3 a 5%) como ferro, cálcio, potássio, sódio, fósforo, magnésio e cloro, além de vitaminas de complexo B e C.

A planta contém ainda glicose (de 2% a 4%), frutose (de 2% a 4%), proteínas (0,5% a 0,6%), amido (0,001% a 0,05%) ceras e graxos (0,05% a 0,015%) e corantes, entre 3% a 5%.

Entrevista com Mirtes Stancanelli, nutricionista do Labex

Endereço Eletrônico: mstancanelli@hotmail.com

Telefone: 55 11 9516-7452

Fax: 55 19 3788-6129

Graduação em Nutrição, Universidade São Camilo (1991). Mestre do curso de Pós-Graduação em Biologia Funcional e Molecular, Área: Bioquímica, IB – Unicamp (desde 2003). Seu projeto de pesquisa envolve o estudo da eficiência da suplementação de caldo de cana para a reposição de glicogênio muscular. Nutricionista da Associação Atlética Ponte Preta (desde 1996). Nutricionista de vários atletas olímpicos. Professora de Nutrição Esportiva na Pós Graduação de Nutrição Clínica das Universidades do Sagrado Coração de Jesus – Bauru e São José do Rio Preto – UNIRP. Responsável pela avaliação nutricional do LABEX (desde 2000).

De onde surgiu a idéia de estudar caldo de cana como suplemento?

Pela primeira vez na história do futebol usei o caldo de cana em substituição a maltodextrina no ano de 1991 na Associação Atlética Ponte Preta e pudemos observar resultados interessantes no uso a longo prazo. Fui convidada a apresentar estes resultados, pela Dra. Denise Vaz de Macedo, no Instituto de Biologia da Unicamp e a partir deste momento começamos a estudar novos resultados em laboratório.

Por que tomar caldo depois da atividade física?

O glicogênio muscular é a principal fonte de energia para trabalhos físicos de alta intensidade. Supre uma atividade física de alta intensidade por aproximadamente uma hora depois disto o atleta é obrigado a diminuir sua intensidade ou até parar. Para que ele esteja apto a fazer uma nova atividade é preciso recuperar esta energia (glicogênio) e o caldo de cana é o alimento mais adequado para esta reposição uma vez que em pequena quantidade repõe aproximadamente 60% do glicogênio além de outras vitaminas e minerais.

O “atleta de fim de semana” pode aderir isto como prática saudável?

Sim. O que ele não deve aderir é ser atleta apenas de final de semana.

Qual a vantagem deste suplemento frente aos outros?

É NATURAL, cheio de nutrientes incorporados naturalmente ao alimento e por isso ajuda a restaurar não apenas o glicogênio muscular mas também ajuda a hidratar por conter sódio e potássio, ajuda a restaurar o sistema imunológico pela quantidade de vitaminas que apresenta e combinado a outra fruta como maracujá, morango, limão etc. é um excelente antioxidante que ajuda a proteger as membranas de nossas células.

Sabe-se que a perda de nutriente durante a atividade física, muda conforme o tipo de treinamento e necessidades individuais. Para quais treinamentos este caldo é indicado?

Para todo o tipo de treinamento, uma vez que o caldo de cana sendo rico em diferentes nutrientes supre a necessidade de diferentes tipos de treinamento.

Quais são as restrições ao uso do caldo?

Quantidades excessivas, intolerância aos componentes, doenças em que os nutrientes não são indicados. Se a contagem de carboidratos for adequada no dia a dia do indivíduo, até em diabéticos tipo II o consumo moderado e orientado por profissional da área pode ser feito.

Normalmente, colocam na prensa da cana um pedaço de limão ou abacaxi, você acredita que isto possa alterar algo na suplementação?

Não. Pode melhorar a concentração de nutrientes e acrescentar outros o que vai deixar o caldo ainda mais rico.

É comum ver prensarem a mesma cana duas a três vezes até tirar todo caldo presente, isto traz alguma diferença na suplementação?

Não, apenas evita o desperdício.

Fonte: Jornal da Unicamp/Blog Nutrição para todos.

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