OS IMPACTOS NA SAÚDE HUMANA DEVIDO A QUEIMADA DA CANA- DE-AÇÚCAR NA RAIA DIVISÓRIA SP/MS/PR

queima_da_cana

IMPACTS ON HUMAN HEALTH DUE TO BURNING OF CANE SUGAR IN RAIA DIVISÓRIA SP / MS / PR

Viviane de Carvalho Silva, João Lima Sant’Anna Neto

Campus de Presidente Prudente

Faculdade de Ciências e Tecnologia – Geografia  vivicasi@yahoo.com.br

 

PIBIC/CNPQ

Palavras chaves: queimadas, cana-de-açúcar, doenças respiratórias

Keywords: burned, cane sugar, respiratory diseases

1 – INTRODUÇÃO

A expansão canavieira no estado de São Paulo ocorreu primeiramente pelos incentivos governamentais a partir da década de 1980 para a produção de álcool como fonte de combustível, que os grandes agricultores obtinham. No caso da expansão no Oeste Paulista, no norte do Paraná e no Oeste do Mato Grosso do Sul teve também outros fatores para a expansão dessa monocultura. Principalmente no oeste paulista e no oeste sul-matogrossense onde havia muitas áreas com pastagens, percebeu-se que a cana poderia ser mais rentável financeiramente. Outro aspecto a ser considerado, é que devido às intempéries do clima na área da Raia Divisória, havia grandes prejuízos para os agricultores que freqüentemente perdiam a safra devido a falta ou ao excesso de chuva, devido ao prolongamento da época de frio/calor. Com o avanço dos estudos sobre a cana constatou-se que esta era bem mais resistente à adversidade das condições climáticas, incentivando, muitas vezes, à substituição de outras culturas pela cana.

A expansão canavieira na área de estudo não ocorreu de forma benéfica, pois a prática mais

comum desse cultivo é a queima da palha da cana, liberando para a atmosfera micro-partículas e CO2 que ficam por longo tempo em suspensão, e dependendo da direção do vento, atingem o perímetro urbano, causando prejuízos ao ambiente e às pessoas que inalarem esse ar contaminado.

Em grande escala espacial, e considerando um longo período de tempo, ás sucessivas emissões de CO2 na atmosfera pode aumentar consideravelmente a temperatura da Terra, já que esse gás é um dos geradores do efeito estufa.

2 – OBJETIVOS

Este trabalho pretende analisar os impactos da queimada da cana-de-açúcar na área de estudo, relacionando-os com os problemas de saúde, sobretudo de doenças respiratórias com maior incidência de casos na época de colheita da cana, onde a queimada é mais efetiva.

3 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Arbex (2004), a fumaça emitida através de queimadas causa impactos à saúde humana exposta, esses impactos podem levar a mortalidade, admissões hospitalares e visitas a emergência, além do uso de medicamentos, devido a doenças respiratórias e cardiovasculares, e também a diminuição da função pulmonar.

4 – MATERIAIS E MÉTODOS

O Sistema IBGE de Recuperação automática – SIDRA foi importante para a coleta de dados das culturas (sobretudo canavieira) produzidas em cada município da área de estudo. Com esses dados é possível identificar as culturas em expansão.

Os dados dos focos de queimada foram obtidos através do CPTEC, que disponibiliza, as coordenadas geográficas de cada foco (latitude e longitude), mas essa fonte de dados não distingue a causa da queimada.

Com as coordenadas geográficas dos pontos de queimada do CPTEC, utilizamos as imagens

do Google Earth, para analisar as áreas que efetivamente são canaviais.

Após a análise dos principais pontos que mais produzem cana e que tenham maiores índices

de queimadas, relacionamos esses municípios com o número de internações devido à doenças respiratórias, obtidos através do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS.

Utilizamos também os dados do IBGE cidades, para relacionar a população dos municípios com o número de internações relacionadas a doenças respiratórias.

5 – RESULTADOS E DISCUSSÕES

Segundo Carvalho Silva & Sant’Anna Neto (2009), os municípios que mais produziram cana-de-açúcar e tiveram o maior índice de queimadas no estado de São Paulo foram Teodoro Sampaio e Presidente Prudente.

Presidente Prudente foi o 4º município no índice de internações devido a problemas respiratórios no ano de 2006, com 1233 casos. Sua população foi estimada em 2007 em 202.789 pessoas, o que significa que aproximadamente 0,61% da população tiveram problemas respiratórios no ano de 2006, e como os maiores índices de internações ocorreram de maio a setembro (época da queimada da cana), pode-se presumir que a causa da maioria das internações teve relação com a emissão de micropartículas através da queimada da palha da cana.

Em Teodoro Sampaio, verifica-se uma situação mais agravante. Sua população foi estimada no ano de 2007 em 20.325 pessoas. O índice de internações dos moradores deste município no ano de 2006, relacionados a problemas respiratórios foi de 671 pessoas, ou seja, cerca de 3,30% da população sofreu com o aparelho respiratório devido à inalação de partículas e gases, que podem ser provenientes da combustão da biomassa.

Município

jan

fev

mar

abr

mai

jun

jul

ago

set

out

nov

dez

total

Maringá - PR

230

65

225

180

277

286

209

192

170

165

200

145

2344

Sarandi - PR

105

86

130

137

179

194

168

127

136

111

118

98

1589

Cambé - PR

78

48

118

155

150

132

183

180

146

104

107

98

1499

Presidente Prudente - SP

71

75

89

79

112

121

125

133

132

100

104

92

1233

Marialva - PR

73

73

82

91

114

118

124

95

62

61

51

47

991

Naviraí - MS

85

74

60

66

57

80

81

98

73

73

70

71

888

Arapongas - PR

54

58

72

41

72

82

87

104

73

67

81

85

876

Mandaguari - PR

73

67

84

90

1

135

101

85

74

60

54

32

856

Presidente Epitácio - SP

44

43

65

73

98

122

67

70

57

53

46

48

786

Paiçandu - PR

56

51

61

67

96

87

97

66

69

59

37

21

767

Teodoro Sampaio - SP

41

33

52

60

66

75

72

67

66

48

43

48

671

Tabela 1: Internações por município no ano de 2006.

Base de dados: DATASUS

6 – CONCLUSÕES

As emissões de gases e materiais particulados na atmosfera comprometem a saúde humana, principalmente o trato respiratório, prejudicando não só a população que vive mais próxima as áreas canavieiras, pois por vezes esse material pode percorrer longas distâncias, chegando inclusive na área urbana, o que aumenta o índice de casos de internação hospitalar, sobretudo de crianças e idosos que são a faixa etária mais vulnerável a doenças respiratórias.

7 – REFERÊNCIAS

ARBEX, Marcos Abdo. Queima da biomassa e efeitos sobre a saúde. Jornal Brasileiro de

Pneumologia, 2004.

IBGE: sistema IBGE de Recuperação de dados – SIDRA. Disponível em

<http://www.sidra.ibge.gov.br>. Acesso em janeiro de 2009.

IBGE: cidades. Disponível em < http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1> . Acesso em julho de 2009.

MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA: banco de dados de queimadas. Disponível em:

<http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas>. Acesso em novembro de 2008.

MINISTÉRIO DA SAÚDE: banco de dados do sistema único de saúde – DATASUS. Disponível em < http://w3.datasus.gov.br/datasus/index.php>. Acesso em julho de 2009.

RIBEIRO, Helena. Efeitos da queimada na saúde humana. Estudos avançados, 2002.

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