8. O cerne do debate

Etanol

8. O cerne do debate
O debate sobre o etanol de cana contém vários temas importantes. O primeiro é o impacto da produção de cana sobre as alterações no uso do solo e do clima. Aqui o pressuposto é de que o uso da terra para cana de açúcar implica em graves impactos sobre o estoque de carbono, as emissões de GEE, e condições da água e do solo. (Macedo et al., 2004). Além disso, a redistribuição de terras ou terrenos limpos para o etanol podem ter impactos imprevisíveis sobre a biodiversidade. A principal questão aqui é, pode a produção de etanol de cana ser sustentável?
Por outro lado, a demanda do etanol de cana pode ter impactos sobre a indústria automotiva, como aconteceu no Brasil com a introdução de FFV's. Aqui o pressuposto é que a procura não tanto orientada por um crescimento equilibrado da oferta, mas pelo preço e atração de novas soluções automotivas. E isso pode ter conseqüências não intencionais para a produção sustentável de etanol de cana (Von Braun, 2006). A terceira questão é o impacto das novas tecnologias sobre a eficiência da biomassa para os biocombustíveis e para conversão de biomassa para etanol. Aqui o pressuposto é que as novas tecnologias podem proporcionar não só maior eficiência, mas também a necessidade de maior escala de operações, pedindo mais terras a serem apuradas para o etanol, com possíveis efeitos negativos no ambiente (Faaij, 2006).
Em quarto lugar, as políticas públicas podem ter efeitos positivos sobre o crescimento equilibrado do etanol na indústria. No entanto, estas políticas podem também contribuir para numerosas distorções no comércio, abastecimento, consumo e desenvolvimento de tecnologia e sobre o meio ambiente (Hertel et al., 2008).

Em quinto lugar, o debate também aborda o impacto dos biocombustíveis nos países em desenvolvimento. Estas sociedades podem se beneficiar enormemente com a diversificação da matriz energética. No entanto o crescimento desequilibrado pode ter consequências inesperadas para a segurança alimentar nacional e de uso da terra (Teixeira Coelho, 2005, Kojima e Johnson, 2005; Dufey et al, 2007). Sexto, a questão aborda o passado com o aumento dos preços dos alimentos. Como os biocombustíveis são fator para a classificação
nos preços dos alimentos no período de 2007-2008 e, possivelmente, nos próximos anos (Banse, 2008; Maros e Martin, 2008). E como se encaixa o etanol nesta explicação e projeção?
Os estudos de impacto são realizados a partir de um ponto de vista multidisciplinar. Além disso, os impactos são observados em níveis de diferentes escalas: global, regional e ao nível da cadeia de valor. Assim, a análise centra-se na dinâmica do uso do solo, a demanda de mercado, desenvolvimento de tecnologia e políticas públicas. Esses quatro fatores principais são considerados para contribuir para a compreensão dos impactos do etanol de cana na mitigação da mudança climática e meio ambiente. O debate pede compreensão com base científica mais recente (The Royal Society, 2008). Este livro pretende contribuir para apresentar essas idéias.

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