CANA-DE‑AÇÚCAR SOBRE ADUBAÇÃO MINERAL E ADIÇÃO DE COMPLEXO ORGÂNICO



ASPECTOS DA PRODUTIVIDADE INDUSTRIAL DE CANA-DE‑AÇÚCAR SOBRE ADUBAÇÃO MINERAL E ADIÇÃO DE COMPLEXO ORGÂNICO: EECAC-PE
Rômulo José Toledo de Araújo1, João Carlos Cezar de Albuquerque Filho2,Leonardo Albuquerque Marenga de Arruda3, Djalma Euzébio Simões Neto4 , José Benjamim Machado Coelho5, Egídio Bezerra Neto6.

Introdução
O agronegócio sucroalcooleiro no Brasil movimenta cerca de R$ 41 bilhões por ano, com faturamentos diretos e indiretos, o que corresponde a, aproximadamente, 3,65% do PIB nacional, além de ser um dos setores que mais empregam no país [1].
Segunda economia do Nordeste, Pernambuco tem um PIB da ordem de R$ 17 bilhões (2,6% do PIB nacional). O cultivo da cana-de-açúcar no estado de Pernambuco é considerado uma das primeiras atividades de importância econômica no Brasil, compõe o mais antigo setor agroindustrial do País e ocupa uma posição de destaque na economia nacional. A área plantada na safra 2007/2008 foi de mais de 371,5 mil hectares plantados, produzindo 21,14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo 11,8% superior a safra 2006/2007. Do total de cana-de-açúcar destinada ao setor sucroalcooleiro, Pernambuco participa com 3,71% (17,61 milhões de toneladas), cuja destinação final é a produção para atender o consumo nacional e de exportação [2].
A absorção dos nutrientes pelas plantas é um processo que requer energia para acumular os elementos essenciais nos tecidos da planta acima das concentrações encontradas na solução do solo [3]. O transporte dos íons através da membrana plasmática é baseado em uma liberação dos prótons que resulta em diferença de gradiente de concentração gerando os potencias químicos e eletroquímicos, fazendo com que os nutrientes, através dos canais iônicos, carreadores e proteínas específicas sejam transportados para o interior das plantas [4] .
A refratometria, na escala Brix, constitui em um método físico para medir a quantidade de sólidos solúveis presentes em uma amostra. Baseia-se em um sistema de graduação de aparelhos especialmente para ser utilizado na indústria açucareira, mais precisamente na análise de açúcares em geral que estejam em solução. A Pol, que é a sacarose aparente é a metodologia utilizada para determinação da maturação, pagamento e balanço agrícola e industrial [5].
A pureza é um dos principais parâmetros na fabricação do açúcar e na seção de cozimento a pureza das massas, que vem a ser a pol porcento ºBrix, toma um caráter de extrema importância [6]. A maturação da cana-de-açúcar pode ser determinada pelos parâmetros tecnológicos (Brix, Pol, pureza e açúcares redutores), I.M. (índice de maturação) e tabelas de pontos [6].
Desta forma, o presente trabalho tem como objetivo estudar o efeito da adubação mineral com e sem adição do complexo orgânico em solos de textura franca da região canavieira do estado de Pernambuco.


Material e métodos
Foi instalado um experimento de campo em solos de textura franca de baixa fertilidade natural, na Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina – EECAC, Zona da Mata Norte do Estado de Permanbuco.
Os tratamentos constam de doses de fertilizantes (0, 125, 250, 500 e 1000 kg ha-1) tendo como base a análise de solo e as recomendações oficiais para o Estado de Pernambuco. Os tratamentos constaram de um arranjo fatorial (4x2+1) envolvendo quatro níveis de adubação mineral com e sem adição do complexo orgânico, totalizando nove tratamentos e quatro repetições, com delineamento experimental de blocos ao acaso.
A unidade experimental é de 7 sulcos com 10 metros lineares, sendo a área útil para avaliação os três sulcos centrais. O experimento foi conduzido no estágio de cana-planta com auxílio de irrigação complementar. As variáveis estudadas foram TCH (tonelada de cana por hectare), TPH (tonelada de açúcar por hectare), fibra, PC (Pol corrigido), pureza, Brix e ATR (açúcar total recuperável) aos 15 meses após o plantio.



1. clip_image001Primeiro Autor é Graduando do curso de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n , Dois Irmãos, Recife, PE, CEP – 52171-900. E-mail. agri.romulo@gmail.com.
2. Segundo autor é Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
3. Terceiro autor é Graduando do Curso de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
4. Quarto autor é Eng. Agrônomo. Dr. em Ciência do Solo. Diretor da EECAC-UFRPE.
5. Quinto autor é Eng. Agrônomo da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Doutorando em Ciência do solo.
6. Sexto autor é Professor Associado da UFRPE - Dep.de Química.



Resultados e Discussão
Não houve efeito significativo da adição do complexo orgânico em nenhuma das variáveis estudadas (Tabela 1, 2 e 3). Também não houve efeito significativo da adubação mineral sobre o teor de fibra no caldo de cana, pol corrigida, pureza e ATR, cujos valores médios foram respectivamente 13,80%; 15,56%; 88,84% e 150,304 Kg.t-1. A adubação mineral com NPK, tanto com complexo orgânico como sem o complexo, mostrou efeito significativo sobre a produção de cana por hectare (TCH) e sobre a produção de açúcar por hectare (TPH). O tratamento correspondente a 1000 kg ha-1 de NPK proporcionou uma produtividade de 67 e 74 Mg ha-1 de cana, respectivamente com e sem adição do complexo orgânico. Tais valores correspondem respectivamente a um incremento de 60 76 % na produtividade da can­de-açúcar, comparando-se com as testemunhas. Em termos de toneladas de açúcar por hectare (TPH), o incremento proporcionado pelo tratamento 1000 kg ha-1 de NPK foi de 57 e 65 % respectivamente com e sem adição do complexo orgânico. O teor de sólidos solúveis totais (Brix) no caldo de cana não foi influenciado significativamente com a adubação mineral em presença do complexo orgânico, cuja média foi 21,20 %. Sem adição do complexo orgânico houve diferença significativa apenas entre os tratamentos com 500 e 1000 kg ha-1, cujos tratamentos proporcionaram respectivamente 22,01 e 20,55 %.

Agradecimentos
A Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina- EECAC pelo apoio financeiro.


Referências
[1] JORNAL CANA 2008 [Online]. Dados e estatísticas. Homepage: http://www.jornalcana.com.br/conteudo/Conheca%20o%20Setor.asp. Acessado em: 19/09/2010.
[2] COMPANHIA NACIOANAL DE ABASTECIMENTO­CONAB, 2007. Acompanhamento da safra brasileira: cana-de­açúcar, safra 2007/2008. Brasília: Conab. p.13.
[3] EPSTEIN, E.; BLOOM, A. 2006. Nutrição mineral de plantas; princípios e perspectivas. Londrina: [ s.n.]. p.402.
[4] OLIVEIRA, E.C.A. 2008. Dinâmica de nutrientes na cana-de­açúcar em sistema irrigado de produção. Dissertação de Mestrado, Curso de Pós-Graduação em Ciência do solo, UFRPE, Recife.
[5] MARQUES, T.A. & SILVA, W.H. 2008. Crescimento Vegetativo e Maturação em Três Cultivares de Cana-de-açúcar. Revista de Biologia e Ciência da Terra. 08: 54-60.
[6] LOPES, C.; PARAZZI, C 1992. Introdução à tecnologia de produção de açúcar. São Carlos: UFSCar. p.151.

Tabela 1. Toneladas de açúcar por hectare (TPH) e toneladas de cana por hectare (TCH) aos 15 meses após o plantio (primeiro corte), em função da fertilização mineral (NPK) com e sem adição de complexo orgânico (C.O.), campo da EECAC-PE. Letras iguais, maiúsculas nas colunas e minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente (P>0,05).
Tratamento TPH (Mg ha-1) TCH (Mg ha-1)
NPK (kg ha-1) Com C.O. Sem C.O. Com C.O. Sem C.O.
0 6,46 Ca 6,46 Ca 42 Ba 42 Ba
125 7,24 BCa 7,47 BCa 48 Ba 47 Ba
250 7,91 BCa 8,38 BCa 49 Ba 54 Ba
500 8,77 ABa 8,89 ABa 57 ABa 56 Ba
1000 10,17 Aa 10,64 Aa 67 Aa 74 Aa
CV (%) 9,78 11,80 13,85 13,69
clip_image002


Tabela 2. Fibra e pol corrigido (PC) no caldo de cana aos 15 meses após o plantio (primeiro corte), em função da fertilização mineral (NPK) com e sem adição de complexo orgânico (C.O.), campo da EECAC-PE. Letras iguais, maiúsculas nas colunas e minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente (P>0,05).
TRATAMENTO FIBRA (%) PC (%)
NPK (kg ha-1) Com C.O. Sem C.O. Com C.O. Sem C.O.
0 14,03 Aa 14,03 Aa 15,69 Aa 15,69 Aa
125 13,51 Aa 14,14 Aa 15,28 Aa 15,94 Aa
250 13,63 Aa 13,77 Aa 16,07 Aa 15,84 Aa
500 13,37 Aa 13,76 Aa 15,42 Aa 15,88 Aa
1000 13,88 Aa 13,86 Aa 15,23 Aa 14,56 Aa
CV (%) 4,30 3,86 6,62 5,17


Tabela 3. Pureza, Brix e ATR aos 15 meses após o plantio (primeiro corte), em função da fertilização mineral (NPK) com e sem adição de complexo orgânico (C.O.), campo da EECAC-PE. Letras iguais, maiúsculas nas colunas e minúsculas nas linhas, não diferem estatisticamente (P>0,05).
TRATAMENTO PUREZA (%) BRIX (%) ATR (Kg.t-1)
NPK (kg ha-1) Com C.O. Sem C.O Com C.O. Sem C.O Com C.O. Sem C.O
0 90,65 Aa 90,65 Aa 21,17 Aa 21,17 ABa 150,134 Aa 150,134 Aa
125 87,75 Aa 89,34 Aa 21,10 Aa 21,88 ABa 148,549 Aa 153,483 Aa
250 90,77 Aa 88,75 Aa 21,51 Aa 21,72 ABa 153,609 Aa 153,022 Aa
500 88,67 Aa 87,84 Aa 21,00 Aa 22,01 Aa 149,101 Aa 154,116 Aa
1000 87,54 Aa 86,43 Aa 21,21 Aa 20,55 Ba 148,160 Aa 142,728 Aa
CV (%) 2,79 2,71 4,45 3,08 5,43 3,93

Postagens Recentes

Postagens Populares